Carpe Diem

É preciso viver intensamente, pois não sabemos o que vai acontecer daqui alguns segundos. Nunca deixe para amanhã o que pode ser feito hoje.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Visita ao Campo Santo




Numa tarde de sexta feira, um passeio tranqüilo. A paisagem é de belas obras de arte que vão do gótico ao contemporâneo, de Lina Bo Bardi a Carybé. Um museu a céu aberto? Quase. Um cemitério museu a céu aberto. Talvez, o mais antigo deles aqui na Bahia. Estamos falando do Cemitério Campo Santo, situado no bairro da Federação. Lá, a Santa Casa de Misericórdia oferece aos visitantes, um tour cemiterial pelas cinco quadras do local que abrigam em seu acervo obras da arte cemiterial dos séculos XIX e XX. E foi este o roteiro escolhido pelo Analista de Suporte, Betto Brito. O Mausoarte conversou com ele para saber qual é a sensação de passear em um cemitério.




Mausoarte:OLÁ BETTO, TUDO BEM?
Betto Brito:Tudo bem.

Mausoarte:COMO SURGIU A IDÉIA DE FAZER UM O TOUR CEMITERIAL NO CAMPO SANTO?
Betto Brito: Uma amiga minha me falou que estava acontecendo este tour cemiteria, aí eu resolvi fazer para conhecer essas obras de arte.

Mausoarte:VOCÊ PODERIA DISTINGUIR QUAL A SENSAÇÃO DE IR AO CEMITÉRIO PARA ENTERRAR ALGUÉM E PARA ADMIRAR UMA OBRA DE ARTE?
Betto Brito: Tem, muita mesmo. Quando você vai para enterrar alguém tem uma carga de tristeza, de lamentação que é do fato mesmo, inerente ao acontecimento. Quando você vai lá visitar o museu é outra visão. Você tá em um ambiente quase tão silencioso quanto um museu e, observando obras de arte você se distancia dessa coisa de morte.

M:JÁ VISITOU OUTROS CEMITÉRIOS?
BB: Sim, mas nenhum com o intuito de ver obras de arte. O único que eu fui para ver obras de arte foi este.

M :O QUE MAIS TE IMPRESSIONOU?
BB: Lá são os detalhes, sem sobra de dúvida. São grandes as detalhes e os significados também. Cada detalhe tem um significado. O detalhe que aparece sozinho não é o mesmo quando ele aparece com outro elemento, com outro detalhe. Muita beleza, me surpreendi. Por exemplo, um detalhe mesmo de uma coluna caída, quebrada, significa que o pilar daquela família se ruiu. Isso realmente é simbólico, muito bonito.

M: SE PUDESSE, QUAL TIPO DE OBRA ENFEITARIA O SEU TÚMULO? DE QUAL ARTISTA?
BB: Não teria nenhuma obra de arte em meu túmulo. Eu não pretendo fazer um túmulo, tão pouco um enfeitado. Eu realmente não faria isso.

M: ACREDITA QUE A ARTE CEMITERIAL PODERIA FAZER PARTE DE UM ROTEIRO TURÍSTICO?
BB: Claro. Mas pra tanto precisa de duas coisas na minha opinião: a primeira, o cuidado e a conservação com as obras de arte do museu , é muito bonito e precisa de manutenção. A segunda seria uma organização: transporte mais organizado, segurança melhor preparada, mais equipada e uma pessoa para poder orientar os visitantes para orientar a atenção das pessoas para os detalhes.

M :VOCÊ TEM MEDO DA MORTE?
BB: Medo da morte eu não diria, não estou interessado em encontrar ela por enquanto, estou interessado em viver um pouco mais, porém, medo da morte não, nem penso.

M :JÁ TEM ONDE CAIR MORTO?
BB: (risos) Não, eu não tenho onde cair morto, nem nunca vou ter onde cair morto. Eu não pretendo fazer um jazigo ou um túmulo. Se puder, eu vou fazer uma coisa que ultimamente não se faz: enterrar meu corpo, os restos, diretamente na terra para que tenha uma decomposição completa e todo o material físico e biológico volte para terra numa vala comum mesmo.


Um comentário:

Tati Lima disse...
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